sexta-feira, 1 de setembro de 2023

A História dos Emuladores de Mega Drive - Parte 5

DGen (1999)
 

 
DGen foi criado em 1998 por Dave, conhecido na cena emu como criador do Final Burn, Dega e PicoDrive, além de outros emuladores. Sua primeira versão teria sido criado ainda em 1998 para MS-DOS, mas não sabemos se foi lançada à público. Sua primeira versão é datada de Maio de 1999 para Windows. Logo em seu início, já vem com suporte à som estéreo, emulação do chip YM2612 com seus seis canais de som e dos processadores 68k, por StarScream e Z80 por Multi-Z80. Ainda em Maio teve algumas versões com atualizações importantes, como a 1.03, que libera seu código fonte, o que acaba fazendo também nas versões de Maio, Julho e Agosto de 1999. A versão 1.04, trazendo suporte a MS-DOS. A versão 1.05, quando começa a dar suporte a DirectInput. E a versão 1.06, que adiciona outro processador 68k, o Musashi, que era mais lento que o StarScream, porém mais preciso. Os dois estavam disponíveis para uso. Em Junho de 1999 começa a dar suporte ao chip PSG e a jogos em formato Zip. Para um bom desempenho do emulador era recomendado o uso de pelo menos um processador Pentium III. Em Janeiro de 2000, Dave lança sua última versão e abandona o projeto para se dedicar ao Final Burn. Nessa versão muda o emulador Z80 para o de Richard Mitton, no lugar do de Neil Bradley, corrigindo a música fora do tempo em alguns jogos. Dave lançou 21 versões ao todo, fora a versão beta. Além das funções já citadas, o emulador também dava suporte à save state, mudança de região, velocidade de imagem de 50 até 70hz, pause, reset, joypad, Game Genie, tela cheia, buffer triplo de imagem, opções de camada, som de até 16bits, potência de até 44.100hz de som, opção de alteração de latência (trazendo maior precisão de som) e suporte à gravação de som no formato .GYM, que é o formato de som original do Mega Drive, semelhante ao NSF do NES (esse formato se inicia no emulador Genecyst, e em futuros emuladores é substituído pelo formato .VGM).
 

DGen
 
Apesar de todas essas opções, o emulador tinha alguns bugs de tela com alguns jogos, com problemas em paralaxes, fundo e sprites. Em relação as colaborações com o projeto, tivemos Neill Corlett com seu 68k, Neil Bradley com seu Z80, Tatsuyuki Satoh pelo seu YM2612, Steve Snake do Kgen98 pelo código de DirectInput, Alex Townsend pelo suporte à roms em formato ZIP, Karl Stenerud por seu emulador Sharp 68K, John Stiles, portador dos emuladores MasterGear, iNes e ColEm para Macintosh por seu renderizador de linha de comando e Flavio Morsoletto por grandes informações sobre o console. Além disso, Richard Bannister e Joe Groff também ajudaram no projeto desenvolvendo o suporte SRAM no emulador. Joe também foi um dos responsáveis por codificar o som do DGen. Sobre seus ports, por volta de Maio de 1999, é portado para MacOS por Richard Bannister. Uma curiosidade com o port para MacOS. Foi o primeiro emulador de Macintosh a emular o chip sonoro de Mega, o YM2612, o que possibilitava a maioria dos jogos rodarem com seu som completo. O port saiu para MacOS 8.1 e posteriores, como o 9. John Stiles adiciona Raster Effects e Gil Peterson adiciona o suporte SRAM à versão de Bannister. Em Dezembro de 2000, Bannister descontinua o port, deixando em seu lugar o Generator. Em Fevereiro de 2000, Caz do site BeEmulated, cria um port para BeOS. Em Dezembro de 2000, tubooboo do site Ngine, chegou a cogitar um port do emulador para Dreamcast, mas o projeto não foi adiante.
 
DGen/SDL (Linux)

Além de todos esses ports, houve um em especial que acabou se tornando a continuação do DGen após seu término, estou falando do DGen/SDL, portado para Linux em Junho de 1999 por Joe Groff, criado em cima da versão 1.12 do emulador original. A versão SDL possibilitava criar ports do emulador para vários sistemas operacionais, como sistema UNIX, BeOS e BSD. Phil K. Hornung o ajuda no projeto, com adição de filtros, suporte à joypad, entre outros. O projeto também deu suporte a Game Genie, roms compactadas e outras adições. No mesmo mês de criação, em Junho de 1999, ganha um port para BeOS por Andrew Bazar. Facilitou mais para Andrew criar um port dessa versão do que da versão Windows de Dave. Em Junho de 2000, ganha outro port para BeOS por David do site smaug.co.uk, pois não se tinha uma versão mais atualizada para o sistema. Andrew voltou a atualizar sua versão posteriormente. Além disso, DGen/SDL teve ajuda de vários outros influenciadores do meio, como Steve Snake, criador do KGen98. Em Julho de 2001, Joe e Phil abandonam o projeto, lançando sua última versão do emulador, totalizando 11 versões lançadas. Também a última versão para BeOS de Andrew sai nesse mês. O DGen/SDL é portado para XBox por XPort em Julho de 2002 como DGenX e para PSP por Syn-Z em Junho de 2005. Em 2008, Bertrand Janin, o Tamentis, tentou ressuscitar o projeto, colocando no ar em seu site no SourceForge, um site para desenvolvedores de código aberto, a última versão do emulador feita por Joe e Phil, na tentativa de ter algum tipo de cooperação, mas não obteve sucesso, lançando apenas uma versão do emulador em Agosto de 2008. Bertrand junto com Inkscape ficaram responsáveis pela criação do primeiro logo do emulador em Maio de 2008.
 

DGen/SDL (Windows)
 
Em 2011, o emulador mais uma vez foi ressuscitado, agora por Zamaz, lançando nove versões do emulador de Setembro de 2011 à Julho de 2014. A partir de Outubro de 2011, Zamaz também começa a lançar versões para Windows. Essa versão não tinha uma interface, exigindo que a rom fosse arrastada para cima do executável do emulador para ser rodada (acredito que isso existia desde a primeira versão de Joe em 1999). Em relação à versão anterior de Tamentis lançada em 2008, Zamaz adicionou filtros de vídeo, seleção automática de região, um depurador 68k (o Cyclone 68k, de autoria de Dave, criado posteriormente ao término do DGen original), suporte à OpenGL, e diversas outras atualizações e melhorias. Desde 2014 o emulador não teve mais nenhuma versão lançada.
 
Venha conhecer a história do DGen em vídeo no nosso canal no YouTube.

A História dos Emuladores de Mega Drive - Parte 4

Gens (1999)

Gens

Gens foi iniciado em Julho de 1999 pelo francês Stephane Dallongeville, o Stef, apenas como protótipo. Em Outubro de 1999, lança sua primeira versão para MS-DOS. Apesar disso, mais adiante se popularizou como um emulador simples de Windows. Os únicos emuladores que rodavam bem na época eram Genecyst e KGen98, mas rodavam apenas em MS-DOS, e o Gens queria ser o primeiro emulador modo Windows com bom desempenho, e na época, os únicos disponíveis para esse sistema eram DGen e Megasis, que não tinham tão bom desempenho assim. O projeto Gens teve muito apoio da cena Genesis, como Steve Snake do KGen98, Atani de ports para Windows de Generator e Genital, Charles MacDonald do SMS Plus de Master System, Red5 do site The Genesis Project por testar o emulador e criar sua documentação e Christian Schiller do site Eidolon's Inn, entre outros.

Gens (Interface/Menus)

A primeira versão do emulador era semi-funcional, executando apenas o depurador 68k criado por Stef, chamado C68K, e rodando jogos em formatos BIN e SMD. Em Novembro, começa a dar suporte à opção reset. No ano de 2000, integra à partir de Janeiro o emulador Z80 de Neil Bradley, adiciona 4 botões no segundo controle de Mega, dá suporte à frameskip e já consegue executar 50% das roms do console. Em Fevereiro, lança a versão para Windows com parceria com o DirectX, conhecida como Wgens, e lança ao mesmo tempo a última versão para MS-DOS. Nessa versão, adiciona save state no formato do famoso emulador Genecyst. A partir de Março, começa a dar suporte à som, tanto pelo chip Yamaha, quanto pelo PSG. Em meio de Março, começa a usar o processador 68k de Neill Corlett e começa a emular o DAC.

Gens (Mega Drive/Syd Valis)

Na penúltima versão de Março, já rodava 75% dos jogos, e na última do mês decide continuar usando o Z80 de Neil Bradley depois de trocar diversas vezes entre os meses de Fevereiro e Março a emulação pelo Z80 de Mitton. Também em Março adiciona suporte à taxa de som de até 44.100hz. Em Abril, adiciona suporte à joypad. Em Maio, começa a dar suporte à diretórios específicos para salvamento de screenshots, save states e outros e carregamento de roms em formato .ZIP. Em Junho, adiciona a textura de jogos 2xSAI, a mesma usada nos emuladores de SNES, ZSNES e Snes9x, além da opção de pause. Também adiciona o modo Scanline, o famoso TV Mode (ou modo TV). Em Junho adiciona som estéreo. Em Setembro adiciona Game Genie, VSync e suporte a idiomas, iniciando pelos idiomas espanhol e francês, chegando em Junho de 2001 à suportar 23 idiomas ao todo, incluindo o português, quando para de dar suporte aos mesmos e retorna com apenas o idioma inglês.

Gens (Sega CD/Batman Return)

Em Outubro, dá suporte à screenshot. No ano de 2001, começa a dar suporte em Abril à netplay via Kaillera. Em Agosto, adiciona o modo stretch, que estica a tela do jogo. Um de seus diferenciais foi a adição de suporte à Sega CD em Setembro, sendo o primeiro emulador de Mega Drive a ter essa opção. Com essa atualização, vem o menu de bios, que mais tarde também dá suporte a bios de outros consoles suportados pelo emulador. Em Outubro, traz a opção de escolha de até 64kb de SRAM para a emulação de Sega CD. Em 2002, começa a dar suporte à partir de Julho ao ajuste de cor, com opções de alteração em contrate e brilho. E por fim, em Agosto, começa a rodar jogos de 32X. Além de todas as funções citadas, o emulador também dispunha de salvamento de configurações do emulador, várias derivações de Scanline, mudança de região de jogo, entre outras. A última versão do emulador é de Outubro de 2002. Seu fim se deve muito à concorrência com o Kega, iniciado em Janeiro de 2002, e renascido como Kega Lazarus em Setembro de 2002, e que no futuro se tornaria o famoso Kega Fusion.

Gens (32X/Tempo)

Na ocasião de lançamento, Kega é elogiado por Stephane como um emulador com boa compatibilidade de jogos, e de melhor velocidade que o Gens. Além disso também tinha suporte a Master System e Game Gear que o Gens não tinha. Uma das poucas vantagens do Gens era ter começado o suporte à Sega CD antes do Kega. Sobre seu ícone do executável, adiciona em Abril de 2000 e modifica em Dezembro de 2000, e seu ícone/logo no alto do emulador, adiciona em Junho de 2000 e modifica em Julho de 2002. Em Maio de 2003, Gens foi portado por Caz para BeOS e em Julho de 2003 para Linux/SDL por Stéphane Akhoun, usando o núcleo do port de Caz como base. Gens rodava em um simples Pentium 200Mhz com 32Mb de memória RAM e placa de vídeo de 2Mb, uma configuração acessível no ano de 2002. Já para o Sega CD, era exigido um Pentium II 233Mhz. Para 32X, era exigido um processador de 800Mhz, com recomendação de até 1Ghz, o que na ocasião era considerada uma configuração de um computador top de linha.

Gens 2.12b e Gens 2.14 Souvenir

Em Janeiro de 2005, uma equipe oriunda do SourceForge lança uma atualização do emulador, com algumas correções de bugs e aumento de compatibilidade, chegando a 92% dos jogos executados. Ela é conhecida como Gens 2.12b. Essa versão também troca o ícone no alto do emulador, e foi muito usada como base para diversos clones/hacks do projeto. Depois disso, DarkDancer, criador da bifurcação de Gens, Gens32, lança uma versão em Maio de 2006 conhecida como 2.14, com alguns elementos do Gens32. Ela ficou conhecida com o codinome de Souvenir, que significa memória em francês, e é a versão de Gens mais conhecida até os dias de hoje. Ambas as duas versões tiveram a participação de Stef. Nessa fase, Stef também teve a ajuda dos influenciadores Rodrigo Cardoso da bifurcação de Gens, Gens Plus! de 2004 e Fox68k do emulador de NeoGeo CD para Dreamcast, NEO4ALL de 2005.

DualGens, sGens, Gens KMod, Gens (Nick o'DIMM), Gens Re-Recording e Gens + REWiND!

Gens32, Gens32 Ray, Gens Surreal, Gens/GS, Gens+ e RAGens

Por conta de seu enorme sucesso, Gens foi um dos emuladores mais clonados de todos os tempos. Tivemos versões clones de Windows como sGens em 2003, IDC Log Gens, Gens Re-Recording (também para Linux, com Nitsuja como um dos autores, que também ajudou na criação do FCEUX para NES), Gens (de autoria de Nick o'DIMM – nick ou-dem), DebuGens, Gens KMod e Gens Plus! (esse último se transformando em um multi-emulador Sega 8 e 16 bits) ambos em 2004, Gens32 em 2005, Gens Surreal (evolução do Gens32), Gens32 Ray (versão para PCs fracos do Gens Surreal) e Gens Tracer ambos em 2006, DualGens em 2008, Gens+ REWiND! e Gens/GS (também para Linux) ambos em 2009 e RAGens em 2018. Debu, Tracer e IDC são os únicos clones que não têm modificações aparentes na interface e créditos.

NeoGenesis (Xbox)

Para outros dispositivos, foi portado para Xbox por XPort, como GensX e NeoGenesis em 2003 e Gens_xport em 2004 e por Hikaru como Gens X em 2003, para Android como Gnome Gens em 2003 e TigerGens em 2012 e para Dreamcast, como Gens4All em 2008 (pelo espanhol Daniel Lancha, o Chui, criador do PSX4ALL para PSX e colaborador do emulador PicoDrive de SMD). Os ports interessantes que podemos destacar são do Gens/SG de 2009 que vem com a proposta de limpar o código-fonte e combinar recursos de vários outros ports de Gens. Houve uma segunda versão do emulador chamada Gens/GS II que começou a ser escrita entre 2014 e 2016, mas nunca foi terminada. O IDC Log Gens de 2004, conhecido também como GensHack, que tem um processo de entender instruções de montagens de uma rom. Gens Re-Recording de 2004, conhecido anteriormente por Gens Movie Test, que é especialista na gravação de vídeos e todas as ferramentas em torno disso, sendo um emulador muito usado pela comunidade TASVideos, um YouTube de jogos gravados em emuladores. E o DualGens de 2008, que foi desenvolvido para comparar diferenças entre roms. Os ports restantes acrescentam efeitos de imagem, vídeo, informações de partes técnicas do emulador e das roms em execução, entre outros.
 
Venha conhecer a história do Gens em vídeo no nosso canal no YouTube.

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