quinta-feira, 24 de novembro de 2022

A História dos Emuladores de Mega Drive - Megadrive Emulator, GenEm e Genecyst

Hoje falaremos dos primeiros emuladores de Mega Drive: Megadrive Emulator, GenEm e Genecyst; sendo esse último o primeiro emulador popular do console.


Megadrive Emulator (1994)

Megadrive Emulator ou apenas Mega Drive, foi o primeiro emulador de Mega Drive/Genesis desenvolvido. Foi lançado em 1994 para MS-DOS. Seus criadores foram Steve Riddle, o The Careless Gamer (]TcG[), como programador principal, Baalzamon, Berzerker e Stegg, como programadores secundários. O emulador estava em seu estado inicial, e rodava apenas Sonic, e mesmo assim com deficiências, como lentidão, problemas com sprites e a não funcionalidade de som. O projeto acaba quando o código fonte é perdido em uma falha de disco rígido. A última versão lançada é datada de Julho de 1994 como 0.5 Versão 2. Há informações que o emulador teria tido uma última versão em Julho de 1996, mas não há confirmação sobre isso. Megadrive Emulator é considerado um dos primeiros emuladores de consoles, estando entre os cinco primeiros que se tem notícia.

GenEm (1996)

GenEm foi desenvolvido pelo alemão Markus Gietzen em 1996. Foi o segundo emulador de Mega Drive a ser lançado, por volta de meados de 1996 para MS-DOS, mas também com diversos problemas. Rodava vários jogos, porém só a Sound Blaster executava a maioria dos sons. O Z80, que era um microprocessador usado no SMD como coprocessador de som, é disponível apenas com comandos do prompt do DOS. Os jogos que não tinham a emulação de som no Z80, funcionavam com o som muito lento. Inclusive essa era uma das grandes reclamações dos emuladores da época, a parte sonora ser estável apenas em placas de som caras. Apesar disso, mesmo com tudo favorável para a execução de som, alguns jogos simplesmente não tinham som. Ainda em 1996, começa a lançar junto com o emulador o executável GenNew, para computadores mais lentos, rodando com o dobro da velocidade do GenEm comum. Em Setembro de 1996, Airds lança uma front-end para o GenEm, chamada GenEm Loader, para Windows, que contou com a ajuda de Markus em algumas informações exibidas na mesma sobre Mega Drive. Em Outubro de 1996, é lançada sua versão para Windows 95 e NT, chamada GenEm95. Essa versão vinha sem som, porém com opção de habilitar a emulação de som através do Z80. A última versão do emulador foi lançada em Maio de 1997, para DOS e Windows. No mesmo mês também é lançada a última versão do GenEm Loader. Em Julho de 1997, GenEm ganha um port para PowerPC (rodando no sistema MacOS) por Brian Verre, e em 1999 para o sistema UNIX/Linux por Magi sob o nome de XGenEM. Esse foi o primeiro port de um emulador de MD para o sistema UNIX, e um dos primeiros para Linux, ao lado de Generator em Novembro de 1998 e de DGen em Junho de 1999. Foram cinco versões do emulador lançadas ao todo. Markus também ficou conhecido em 1996 e 1997 pela criação do emulador de Atari 5200, XL-It!

Genecyst (1997)

Genecyst foi criado por Icer Addis da produtora Bloodlust Software em 1997, e lançado em Junho do mesmo ano para MS-DOS. Ele seguiu o mesmo padrão de interface e menus do emulador de NES, NESticle, da mesma empresa. O emulador foi o primeiro a rodar de fato uma lista grande de jogos do console, e sem os problemas encontrados em projetos anteriores. Ele implementou, entre outros, save state, gravação de som (com opção de gravação do som geral e do som FM) e conversões de jogos SMD para BIN. Além disso, também dava suporte à pause, reset, snapshot, diversos tamanhos de resolução de vídeo, frameskip, Vsync, dois controles (com suporte tanto por teclado, como por joypad), suporte à diversas informações técnicas, como cores de paletas e possibilidade de alterar camadas (entre fundo, sprites e paralaxes), escolha de região do jogo (EUA, JP e EU), além de emular todos os chips sonoros, como FM, PSG e DAC, e dar a possibilidade de executar o som em até 44.100 Hz. O emulador também é pioneiro na gravação de áudios no formato .GYM, que são os áudios originais do SMD. GYM é a abreviação de Genesis Yamaha, porque grava o som direto do chip 2612, trazendo um som limpo e com qualidade digital. Outros emuladores de SMD depois deram suporte à essa função. Além das versões DOS terem mais memória e processamento a sua disposição por não dividi-las com o sistema operacional, o emulador também usava pouco de cada um desses. Necessitava de apenas um Pentium 1 com 8 MB de memória RAM para a execução dos jogos. O emulador também teve um bom apoio da cena da emulação, como Ishmair com informações e ajudas sobre o chip de som YM2612, Neill Corlett com seu emulador 68k, Merlyn LeRoy com seu Game Genie, além de ajuda de Marat Fayzullin do projeto MasterGear de Master System e do lendário site de emuladores, Zophar. Por algum tempo, Genecyst foi considerado o melhor emulador de Mega Drive que existia. O emulador teve sete atualizações de Junho à Setembro de 1997, quando teve um hiato. Retorna com a última versão em Agosto de 1998, trazendo carregamento de jogos compactados em formato ZIP, gravação de som em formato WAV e suporte à som estéreo. Mesmo se encerrando em 1998, Genecyst foi amplamente usado até início dos anos 2000.

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

A História do Mega Drive - Seus Jogos, Concorrência com o SNES e Add-ons

Um pouco da história do Mega Drive, com seu hardware inspirado nos arcades, seu lançamento, seus add-ons, sua concorrência com o SNES e seus jogos.

Mega Drive

O Mega Drive, ou Sega Genesis nos EUA, foi lançado em 1988 no Japão, e foi concorrente do Nintendinho e do recém-criado PC Engine. Seu hardware foi baseado no arcade Sega System 16 criado um ano antes, que usava os processadores Zilog Z80 e M68k. No MD o Zilog Z80 era usado como coprocessador de som e o 68k como CPU principal. Seu processador 68k era de 16 bits e tinha 7.6 MHz e seu coprocessador Zilog Z80 tinha 3.5 MHz. Também usava o chip de som PSG SN76489, baseado nas versões de SG-1000 e Master System com 4 canais de som PCM e um chip Yamaha 2612 com 6 canais de som FM. Sua GPU (processador de vídeo) era um VDP chamado Sega 315‑5313 ou Yamaha 7101 de 13.4 MHz, baseado no Sega VDP do SMS, que por sua vez foi baseado no TMS9918 do MSX e SG-1000 (ou seja, a parte gráfica dos consoles da Sega foi sempre baseada na de seus consoles predecessores). Também disponibilizava 512 cores com 64 simultâneas. E por fim, tinha 136kb de RAM total, sendo 64 para o sistema principal, 64 para vídeo e 8 para áudio.

O console contou com alguns periféricos, como o Sega CD, lançado em 1991, que adicionava jogos com som digital moderno e dimensão e rotação, iguais os jogos de Mode 7 para SNES, e o 32X, lançado em 1994, com jogos com mais cores e polígonos. Ambos usavam o hardware do MD para se auto-potencializarem. O MD também usufruía deles, como adquirindo melhor som com o Sega CD e melhores cores com o 32X. O console também deu acesso à rede pelo Mega Modem, que era conectado na parte traseira do console e que permitia o download de alguns títulos para o console através do serviço Net Work System. O acessório foi lançado em 1990 no Japão, e deixava à disposição 24 títulos para download, sendo a maioria jogos que nunca foram lançados em cartuchos. Eram jogos de no máximo 128kb, devido ao limites de rede da época. Um jogo demorava em média oito minutos para ser baixado. O acessório e serviço também foram lançados no Brasil à partir de 1995, ambos com o nome de Sega Mega Net. Diferente da versão original que precisava de um modem ligado na parte traseira do console, essa versão funcionava com um cartucho que se ligava na entrada principal do console, com cabo para ligar na linha telefônica.

O sucesso do console, que era conhecido como arcade em casa, dado os diversos ports que recebera desses hardwares, logo se consolida. Sobre seus cartuchos, existia diferença entre os japoneses e os americanos, não na placa que era idêntica, mas sim na carcaça plástica, porém encaixavam tranquilamente em qualquer Mega Drive. Porém, existia uma trava de região no hardware do console, diferente dos consoles da Nintendo que tinham trava física de encaixe, impedindo jogos de outras regiões de funcionarem em seus consoles feitos em outros países. Nos EUA, o console é lançado em 1989, como Sega Genesis, por já existir o nome Mega Drive registrado no país. No Brasil, é lançado em 1990, pela TecToy, que já trazia para o país o console Master System. O modelo e região eram baseados no console americano. O segundo modelo do console é lançado em terras brasileiras em 1992, sendo o mesmo aparelho, porém agora, com Sonic The Hedgehog na memória, e não mais Altered Beast como na primeira versão. Já a terceira versão do console (inspirada na segunda versão americana), era compactada, e foi a mais vendida no país, de 1993 até 2001. O console com sistema japonês jamais foi lançado no país, mas como boa parte dos jogos japoneses receberam recriações no ocidente, poucos jogos ficaram desconhecidos dos brasileiros.

Com a chegada do SNES em 1990 e o sucesso do mesmo a partir de 1991, a concorrência com o MD se torna frenética. Principalmente franquias como Mortal Kombat, Fatal Fury e Street Fighter se tornam uma das maiores brigas entre os consoles, com ports, uma hora melhores para um console, outra hora melhores para outro. Outros jogos foram concorridos com o SNES, como da DC Comics, como Batman Returns, da Marvel, como Wolverine Adamantium Rage e Capitão América, da Disney como Aladdin e Rei Leão, da Warner como Animaniacs e Taz Mania, As franquias Aero Acrobat, Aerobiz, Bubsy, Earthworm Jim, Double Dragon, Power Rangers, Robocop 3 e Terminator, além de Battletoads, Pitfall, Pit-Fighter, Rock'n Roll Racing, e uma infinidade de outros jogos.

Já sobre seus jogos, franquias como Sonic The Hedgehog, Simpsons, Strider, Shining Force, Phantasy Star, Golden Axe, Streets of Rage, Tartarugas Ninja, Jurassic Park e Shinobi, foram muito sucesso no console. Outros nichos específicos também fizeram parte do console, como jogos de corrida, como as franquias Road Rash, Super Monaco GP e Top Gear 2. De esportes, como as franquias World Cup, FIFA Soccer e NBA Jam. De luta, como Samurai Shodown, Art of Fighting e Primal Rage. De RPG, como Wonder Boy in Monster World, Beyond Oasis e Dungeons & Dragons. De simulação, como Urban Strike, After Burner II e Populous. De Run And Gun, como Contra: Hard Corps, Alien Soldier e Zombies Ate My Neighbors. De plataforma, como Comix Zone, Ghouls ’n Ghosts e Alien 3. De Beat’em Up, como Alien Storm, Tomjam & Earl e Altered Beast. De puzzle, como Puyo Puyo, Columns e Lemmings. De shmup, a franquia Thunder Force, Darius II e Sub-Terrania. De animes, como Sailor Moon, Dragon Ball Z e Yu Yu Hakusho. Da Disney, como diversos jogos de Mickey (como Fantasia e Castle of Illusion), Mogli e QuackShot. Da Warner Bros, como Pernalonga e alguns jogos de Tiny Toons e Taz Mania. Da DC Comix, como as franquias Superman, Batman (como Batman e Robin e Batman Forever) e o jogo Liga da Justiça Força Tarefa. E por fim, jogos da Marvel, como as franquias Spider-Man (como Maximum Carnage e Spider-Man vs. The Kingpin) e X-Men (como Children of the Atom), além de The Punisher. O Mega Drive teve quase 900 jogos lançados em nove anos de vida. O console é descontinuado em 1997 com 30,75 milhões de unidades vendidas.

Simulador: Aerobiz, Jungle/Urban/Desert Strike, Populous, After Burner II, King Salmon
RPG: Shining Force, Phantasy Star, Gauntlet IV, Light Crusader, Landstalker, Dungeons & Dragons: Warriors of the Eternal Sun, Wonder Boy in Monster World, Beyond Oasis
Puzzle: Columns, Puyo Puyo, Dr. Robotnik's Mean Bean Machine, Lemmings, Zoom, Blockout, Pac-Attack, Puzzle & Action
Run And Gun: Contra: Hard Corps, Alien Soldier, Zombies Ate My Neighbors, Ranger-X, Gunstar Heroes, Mega Turrican
Plataforma: Alien 3, Strider, Comix Zone, Ghouls ’n Ghosts, Shinobi, Judge Dredd, Sonic The Hedgehog, Simpsons, Jurassic Park, Pitfall, Battletoads, Robocop 3, Earthworm Jim, Terminator, Aero Acrobat, Bubsy
Beat’Em Up: Double Dragon, Tomjam & Earl, Tartarugas Ninja, Golden Axe, Streets of Rage, Altered Beast, Power Rangers
Corrida: Out-Run, Road Rash e Super Monaco GP, Virtua Racing, Top Gear 2, Rock'n Roll Racing
Esposte: World Cup, FIFA Soccer, NBA Jam, NHL (de Hockey), WWF (de Luta Livre), NFL (de Futebol Americano)
Luta: Mortal Kombat, Fatal Fury, Street Fighter, Samurai Shodown, Eternal Champions, Art of Fighting, Primal Rage e Virtua Fighter II, Pit-Fighter
Shmup: Thunder Force, Darius II, Musha, Truxton, Sub-Terrania, 
Animes: Sailor Moon, Dragon Ball Z, Maruko Chan, Shin Chan, Hokuto no Ken, Patlabor, Slam Dunk, Yu Yu Hakusho
Disney: Aladdin, Rei Leão e Mickey Mania, Mickey (como Fantasia e Castle of Illusion), Toy Story, Mogli, Pateta, Pocahontas, QuackShot, A Pequena Sereia
Warner Bros: Pernalonga, Animaniacs, Taz Mania, Tiny Toon, Taz Mania
DC Comix: Superman, Batman (como Batman e Robin, Batman Forever e Batman Returns), Liga da Justiça Força Tarefa
Marvel: Spider-Man (como Maximum Carnage e Spider-Man vs. The Kingpin), X-Men (como Children of the Atom), The Punisher, Wolverine Adamantium Rage, Captain America and The Avengers, The incredible Hulk

Lançamentos do Mega Drive no Brasil:
Mega Drive (1990)
Mega Drive II (1992)
Mega Drive III (1993)
Sega CD I (1993)
Sega CD II (1994)
Multi-Mega CDX (1995)
Mega 32X (1995)
Super Mega Drive III Show do Milhão (2002)
Mega Drive 3 - 71 Jogos (2006)
Mega Drive 3 - 81 Jogos (2007)
Mega Drive 3 - 86 Jogos + Mobile Games (2008)
Mega Drive (2017)

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

A História dos Emuladores de NES - Squeem, Nintendulator e Nestopia

Hoje falaremos dos emuladores Squeem, Nintendulator e Nestopia, além de outros emuladores menos famosos para NES.


Squeem (2000)

Squeem foi lançado em Fevereiro de 2000 para MS-DOS por Dead Body, e já vinha com interface (GUI) própria criada pelo autor. Squeem foi um dos pioneiros em adicionar plug-ins de som, vídeo e controle em emuladores de NES. Segundo seu criador, Dead Body, que na época tinha apenas 15 anos, não sabia que um ano antes o emulador Pretendo havia feito o mesmo. Os criadores do Pretendo depois acabaram o ajudando no projeto. Dead fez tudo do zero, se inspirando nos plug-ins do primeiro emulador de PS1, o PSEmu Pro. Em seu início, rodava sem som, acelerado, com bugs e com poucos jogos compatíveis. Ainda em Fevereiro, é lançada sua segunda versão, agora para Windows. Dead intercalava os lançamentos, ora com uma versão para Windows, ora com uma versão para DOS. Em Março, adiciona o suporte aos plug-ins, junto com plug-ins de vídeo (Glide) e de joystick próprios, além de modo tela cheia. Em Abril, começa a dar suporte à save state, Famicom DiskSystem, plug-in de som, frameskip, além de reescrever seu sistema de mapeadores e criar seu próprio emulador 6502, intitulado Dead6502. Desde o início, usava o emulador m6502 de Neil Bradley, que continuou usando por mais um tempo até implementar seu próprio. Em Maio, adiciona o modo scanlines e Game Genie. Em Dezembro, reescreve completamente o emulador. Sua última versão é lançada em Abril de 2001. Nela, vinha com suporte à netplay e diversos modos de vídeo e som, na sua maioria plugins DirectX (lembrando que os plug-ins eram baixados separadamente). Outro de seu diferencial era a escolha de núcleos de CPU. Ele disponibilizava três de seus núcleos Dead6502, além do núcleo Nes6502 de Matt Conte e s6502 de Shu Kondo. Também trazia a possibilidade de se escolherem as APU's, que eram processadores de áudio, disponibilizando os de Matt Conte e Xodnizel e paletas de Chris Covell, Matt Conte, Kevtris e Roni. Para uma melhor experiência, você precisava ir testando os plug-ins, processadores e paletas entre si e ver qual era a melhor compatibilidade. As vezes certas combinações mutavam o jogo ou o aceleravam, por exemplo. O projeto também dava suporte à screenshot no formato .BMP e pause (isso já nas primeiras versões), reset (já nas últimas versões) e screenshot no formato .PCX (na última versão), entre outros. Squeem foi um emulador bastante promissor, com inclusive projeto para versão Linux iniciado em cima de seu último lançamento, mas nunca lançada. Dead Body criou outro emulador de NES em 2002 chamado Marijuanes e que teve apenas uma versão lançada.

Nintendulator (2002)

Nintendulator foi um projeto que se iniciou por Quietust usando um recém-falido emulador como base chamado NinthStar NES de autoria de Akilla, com apenas uma versão lançada em Janeiro de 2001. NinthStar em seu início queria se tornar um sistema multi-consoles, mas a ideia acabou sendo abandonada junto com o projeto. Quietust refez várias coisas no emulador. Também usou dll's mapeadoras do emulador NESten até Abril de 2003. Entre suas várias opções, executava formatos conhecidos de jogos de NES da época, como NSF, UNIF, iNES e FDS, esse última pertencente aos jogos de Disk System. Também dava suporte a Game Genie, quatro controles, save state e gravação de vídeo. Ao longo de sua existência, teve pouquíssimos lançamentos, sendo lançado em Junho de 2002 para Windows, e tendo outras nove atualizações em Março de 2005, Janeiro de 2006, Junho de 2009, Janeiro de 2010, Agosto de 2014, Janeiro de 2019, Março e Julho de 2022 e Julho de 2024. Nos tempos atuais, é considerado ao lado do Nestopia e do FCEUX, um dos três emuladores mais populares de NES.

Nestopia (2003)

Nestopia foi desenvolvido a partir de meados de 2002 por Martin Freij em C++. O primeiro lançado foi em Junho de 2003 para Windows, e tinha como diferencial a exigência de CPU, com o requisito mínimo de 800 MHz de processador, o que não era pouco na época. Isso se devia a sua alta precisão na emulação. Também foi conhecido como um dos emuladores com maior compatibilidade de jogos. Tudo isso o fez ser considerado o melhor emulador de todos os tempos, sendo usado até os dias de hoje, mesmo após seu término. O emulador tinha suporte às principais ferramentas do NES e de seus emuladores concorrentes, como sincronia CPU/PPU, netplay kaillera, filtros de imagem, suporte à VS System e Disk System, jogos em formato UNIF, FDS, NSF, INES e outros, Game Genie, save state, gravação de vídeo e som em AVI e WAV, screenshot, além de suporte à vários controles e teclados. Ele também permitia a personalização de som, com alterações em vários canais, alterações de ruídos, de bits, de hertz, entre mono e estéreo, além de permitir escolha entre o driver de som a se usar. E personalização de vídeo, com alteração de resolução, filtros, bits, paletas, brilho, saturação, cor, tonalidade, e também escolha de drivers de vídeo. Outros de seus diferenciais era ter um player de arquivos NSF, que eram os arquivos originais de som do NES, e um editor de rom, com modificações entre NTSC, PAL, memória RAM e ROM, para console ou arcade, tela horizontal ou vertical, entre outros. Como vários outros projetos, teve ajuda de muitos influenciadores do meio, como Marat Fayzullin do iNES com documentos, Matthew Conte com informações de processamento de áudio, CaH4e3 do projeto FCEU-MM com informações de mapeamento, Xodnizel do FCE Ultra também com mapeamentos, Yoshi com a documentação nestech.txt, entre muitos outros. A versão para MacOS X sai em Dezembro de 2003 por Richard Bannister, maior nome de ports e emuladores para Macintosh, que continua a atualiza-la mesmo após o término do projeto original. A última atualização da versão Mac sai em Maio de 2021. Houve também uma outra versão para MacOS X por volta de Julho de 2007 por Deamoncollector. Já a versão Linux sai em Maio de 2007 por Richter Belmont, que havia deixado no passado o projeto Emuhype, que desenvolvia emuladores para arcades. A última versão do Nestopia é lançada em Junho de 2008. O emulador teve 32 atualizações ao todo. Houve uma tentativa de port para Nintendo 3DS chamado Nestopia3DS em 2006, mas isso nunca se concretizou. Nestopia foi portado para Xbox em 2010 por Nes6502 com o nome de NestopiaX. Também é portado para PS3 com o nome de NestopiaPlus, rodando também em Linux e Windows, e para iOS como apenas Nestopia, ambos em 2013. Ainda em 2013, é adicionado ao emulador multissistemas OpenEmu para MacOS X. Nestopia sempre foi de código aberto, o que propiciou a criação de vários ports e bifurcações do mesmo. Em Março de 2010, foi criado um hack do emulador por Keith Kelly, conhecido como Nestopia 1.41.1 Unofficial. Seu intuito era corrigir um lag de joypad do emulador original que se consistia em atraso quando a opção VSync era ativada. Em Maio de 2011 foi atualizado por Geestarraw, adicionando suporte de tela inteira para monitores secundários em PCs com mais de 1 monitor. O mesmo autor criou mais uma atualização em Setembro de 2012. Em Janeiro de 2013, notBald altera a versão de Geestarraw adicionando diversos filtros de imagem. Ele cria no mesmo mês as versões 1.41.2 e 1.41.3. Um pouco antes, em final de 2012, Dan Brook cria uma bifurcação do Nestopia, chamada Nestopia Undead Edition (algo como edição vivo-morto), conhecida como Nestopia UE. Esse projeto une atualizações das versões de Geestarraw, Keith, notBald (mais adiante), e da versão 1.40 A-H para MacOS X de Bannister. O emulador é lançado para Windows e Linux (executado também em Open/Free/NetBSD, além de Ubuntu) também em 2012, e em Janeiro de 2016 tem port para MacOS X. Entre outros sistemas. O projeto adicionou, entre outros, uma nova interface (GUI), modo fullscreen com resolução nativa, renderização em OpenGL e save state em SRAM (ou seja, para dispositivos somente leitura). Suas principais atualizações foram versões otimizadas para vários sistemas diferentes. O Nestopia UE foi portado por volta de Fevereiro/Março de 2013 para libretro/RetroArch por themaister (criador do RetroArch) e twinaphex. Em 2020, se junta ao Nestopia UE, Rupert Carmichael, ajudando Brook no projeto. A última atualização de Nestopia UE é feita em Março de 2024.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

A História dos Emuladores de NES - Darcnes, Pretendo, JNes e Nester

Hoje abordaremos sobre os emuladores Darcnes, Pretendo, JNes e Nester, sendo esse último um dos grandes emuladores de NES. Confira.


Darcnes (1998)

Darcnes foi criado em 1998 por Alastair Bridgewater, o Nyef. Sua primeira versão é datada de Dezembro de 1998 para Linux, com base na documentação do NES, o Nes.Doc, e no emulador de 6502, ambos de Marat Fayzullin, e na documentação do NES chamada de Nestech.txt de Jeremy Chadwick, o Yoshi. Logo em seu lançamento, Alastair deixava claro que o emulador seria multissistema, cogitando lançar em seguida suporte aos consoles PC-Engine e Master System. De 1999 em diante, o emulador começa a dar suporte ao sistemas Game Gear, PC Engine/TurboGrafix 16, Master System, ColecoVision, SG-1000, o PC Apple II, PC Engine CD (apenas no sistema UNIX), Famicom Disk System, SC 3000 e o PC MSX, adicionados respectivamente em Janeiro, Março, Maio, Junho e Novembro de 1999, Janeiro, Fevereiro e Junho de 2000, e Março de 2001 (os dois últimos sistemas citados, SC e MSX, são lançados nessa mesma versão de Março de 2001). Sua versão DOS (a mais conhecida), rodava em comando de linha, apenas com funções adicionais de controle de volume e frameskip. Tinha suporte à controle tanto por teclado, quanto por joystick. Os jogos, especificamente de NES, SMS e GG tinham bom desempenho, sem bugs e com ótimo som. PC Engine rodava bem, porém sem som e ColecoVision e FDS não funcionavam. Já sua versão para Windows era bem simples, com menu apenas de carregamento de roms sem nenhuma outra função adicional. Seu controle era apenas por teclado. Já o desempenho dos jogos eram bons em NES, SMS, GG e SG-1000, porém no GG e SG-1000 não funcionavam os botões. No PC Engine, além de não funcionarem os botões, a emulação também era muita acelerada. E ColecoVision e FDS também não funcionavam (pelo menos nos testes que realizei). Era também mais um projeto protótipo com um grande futuro pela frente. Além da versão para UNIX, Darcnes foi portado também para vários outros sistemas operacionais, como MS-DOS em Janeiro de 1999, Amiga em Março de 1999, BeOS em Junho de 1999, Linux em Agosto de 1999, Windows em Janeiro de 2000 e NetBSD em Abril de 2001. Alguns dos responsáveis pelos ports são pessoas famosas do meio, como AmiDog, que portou para o Amiga emuladores como Handy, Frodo, MAME, MESS e FPSE, Abazan que portou para o BeOS jogos do DOS e ZX Spectrum, e o emulador DGen, o brasileiro Rafael Rigues, o Sephiroth, que trabalhou em empresas que falavam de Linux, como a Conectiva e a Revista do Linux, com os ports do emulador pra DOS e Linux, e os próprios criadores do sistema japonês NetBSD, além de Vector com a versão para Windows. Alastair também faz dois ports oficiais, para Windows em Janeiro de 2000 e para BeOS em Maio de 2000. A última versão do emulador é lançada em 1 de Abril de 2001, no mesmo dia do port para NetBSD, mencionado anteriormente.

- MS-DOS por Sephiroth em Janeiro de 1999 (Também uma versão para Linux em Agosto de 1999, e para Power PC posteriormente. Sephiroth é um brasileiro chamado Rafael Rigues, que trabalhou na Conectiva, empresa de venda e assistência técnica do Linux, e foi colunista e editor da Revista do Linux em 2000)
- BeOS por Abazan em Junho de 1999 (Também responsável por passar para BeOS jogos de arcade como Arkanoid, Breakout, e Columns, de DOS, como Nibbles, Sokoban para o PC ZX Spectrum, e o emulador DGen para Mega Drive)
- Windows por Vector em Janeiro de 2000 (junto com a versão oficial de Alastair)
- Amiga por AmiDog (também conversor para Amiga de emuladores como Handy para Atari Lynx, Frodo para Commodore 64, MAME e MESS para Arcade, FPSE para PS1, e outros) em Março de 1999
- NetBSD por The Japan NetBSD Users' Group (criadores do próprio sistemas operacional) em Abril de 2001

Pretendo (1999)

Pretendo foi um emulador escrito por Evan Teran e Eli Dayan, conhecidos como Proxy e Delta, em Abril de 1999, com versões lançadas à partir de Dezembro de 1999 para Windows. Uma versão Linux estava pra sair, mas não sei se isso chegou a ocorrer. Seu diferencial foi a adição de plug-ins de vídeo, som, controle e CPU, sendo o pioneiro a usar essa função no NES. Sobre seus plugins de CPU, usava as versões inspiradas nos emuladores de Neil Bradley, usado no NESticle, Shu Kondo, usado no fwNES e TNSe, usado no emulador NESten. Também usava paletas de cores de diversos autores, como Matthew Conte, do Nofrendo, Alex Krasivsky, do LandyNes, além das paletas do LoopyNES, DarcNES, Pasofami e até do multi-emulador MESS. Sem dúvida alguma, foi um emuladores bastante completo. Seu plugin de som era razoável, porém com algumas falhas. Sua emulação e velocidade eram boas e tinha bons gráficos. Fora isso, contava com demais funções, como suporte à joypad, save state, pause, reset, snapshot, game genie e IPS patcher. Também lia jogos em formato .zip. Foi um dos poucos emuladores de NES que permitia regulagem livre de janela, apesar de já vir com três tamanhos de zoom determinados. Ele teve quatro versões públicas, sendo a última lançada em Junho de 2000. Também em Junho, Delta cria um port para BeOS.

JNes (1999)

JNes foi programado pelo americano Steven Rellinger, o Jabo a partir de Março de 1999, e é considerado um dos melhores emuladores de NES para Windows. Seu primeiro lançamento foi em Outubro de 1999. Em seu lançamento, recomendava-se o uso de um Pentium 133 MHz, DirectX 5 e placa de vídeo de 2MB. Um computador mediano para a época. Em seu início, vinha com dois tamanhos de janela, fullscreen com quatro tamanhos diferentes, modo stretch (de esticar a imagem horizontalmente), áudio, suporte à dois joypads, game genie, save state, pause, reset, snapshot e gravação de áudio em WAV. Ele também usava o DirectX para vídeo, áudio e entrada de controle. O emulador inicialmente era compatível principalmente com jogos americanos e europeus, e aos poucos deu suporte à jogos japoneses. Nos anos seguintes, dá suporte a kaillera em Abril de 2001, paletas externas em Junho de 2001, super 2xsai e scanlines em Julho de 2002 e suporte à outros idiomas à partir de Dezembro de 2005, dando em Fevereiro de 2008 suporte à língua portuguesa. Até o fim do projeto, deu suporte à 20 línguas diferentes. Em Dezembro de 2007, começa a dar suporte à gravação de vídeo em formato JMV. Entre as pessoas que fizeram parte de sua equipe está Gent, sendo testador e criador de trapaças, além de Smiff, RadeonUser e TrotterWatch. Jabo também teve a influência de algumas pessoas da cena, como Nyef do Darcnes, Akilla do Nintendulator, Yoshi da documentação Nestech.txt, entre muitos outros. Sobre suas mudanças de interface, muda seu logo no primeiro lançamento beta do emulador em Janeiro de 2001. Em Fevereiro de 2005, a front-end tem mais algumas mudanças, entre elas a exibição das roms no centro da interface. Há algumas outras alterações ao longo do tempo, mas estética apenas, mudança de logo em Dezembro de 2007. Em Dezembro de 2016, muda novamente o ícone e aparição de pastas na parte central da interface, para melhor escolha de roms. A partir de Janeiro de 2013, começa a desenvolver sua versão para Android, o que faz largar as atualizações do emulador para Windows a partir de Janeiro de 2017. Entre 1999 e 2017, teve apenas 7 anos não contínuos de hiatos, 2003, 05, 09, 11, 12, 14 e 15. Logo no início, está no Google Play, sendo retirado da plataforma em Dezembro de 2015 e retornando à mesma em Fevereiro de 2017. Também tem hiatos nos lançamentos das versões para Android nos anos de 2014, 2016 e 2018. Sua última versão para Android sai em Dezembro de 2021. JNes é considerado um dos emuladores de NES há mais tempo sendo atualizado, como também há mais tempo sendo atualizado por uma mesma pessoa.

Nester (2000)

Nester foi criado por Darren Ranalli no início de 1999 e lançado no dia 7 de Agosto de 2000 para Windows. Os influenciadores Sardu do NESticle, Marat Fayzullin do iNes, Yoshi do nestech.txt e Nyef do Darcnes ajudaram de alguma forma o projeto. Nester usa os emuladores de CPU (nes6502) e de áudio de Matt Conte, criador do emulador Nofrendo de NES. Falando da parte sonora, Nester também dá suporte ao DirectInput, que traz uma ótima qualidade de som. Também dá suporte a execução de músicas no formato .NSF, que é o formato padrão de músicas do próprio console, portado do plug-in Nosefart para Winamp, também criado por Matt Conte. O suporte a save state no formato .SNSS, é compatível com outros emuladores, como Nofrendo, LoopyNES e outros. A partir de Novembro de 2000, na terceira atualização do emulador, Darren começa a liberar seu código fonte. O emulador teve três lançamentos ao todo, sendo o último em Janeiro de 2001 com a versão Public Beta 4. Em Fevereiro de 2002, fez uma pequena atualização nessa última versão, mas apenas mudanças superficiais, sem mudar o executável de fato. Após isso, vários projetos de bifurcação e ports do emulador começaram a surgir. O primeiro foi o Unofficial Nester (conhecido também como UONester), pelo japonês Toshiya Takeda, que começa a ser desenvolvido em Setembro de 2000. O emulador tinha algumas melhorias na velocidade e em todas as principais funções do console, além de suporte a Game Genie, Disk System, jogos dos arcades PlayChoice-10 e Unisystem baseados no hardware de NES, suporte à diversos controles e teclados originais do console, além de gravação e reprodução de vídeos e netplay via TCP/IP. Sua última versão sai em Julho de 2001, em cima da versão de Novembro de 2000 do Nester original, a Public Beta 3. O segundo projeto é o conhecido NesterJ criado pelos japoneses Screw e Mikami Kana, começando também por volta de Setembro de 2000, e com primeiras versões públicas em Novembro de 2000 em inglês, e em Janeiro de 2001 em japonês. O projeto nada mais é que a fusão do Nester original com o Unofficial. A última versão do emulador é datada de Julho de 2003. O NesterJ também foi portado para PSP, pelo chinês Tensai Wang em Dezembro de 2009, e conhecido como NesterP. A terceira bifurcação foi o NNNesterJ em início de 2001 de autoria do japonês R1, uma versão modificada do NesterJ. Ele adiciona uma interface diferente, configuração de joypad mais prática, gravação de vídeos em formato AVI, além de netplay através do Kaillera. Sua última versão foi a 0.23 em Dezembro de 2002. O emulador também teve versões em japonês e em inglês. Todas as três bifurcações foram para Windows. Nester também foi portado para Dreamcast pelo nome de NesterDC por Ken Friece em 2001, e tido também versões em 2001 por Fumihiko Takayama, 2003 por Warmtoe, 2005 por Scherzo, e 2008 por Christuserloeser. Em 2002, foi portado para Xbox pelo nome de Nester X por Hikaru, responsável por diversos ports de emuladores para o console da Microsoft. Também foi portado para Gamepark 32 em 2003 e 2004 e Nintendo DS em 2005. Em Outubro de 2007, o autor original, Darren, inscreve seu emulador no SourceForge, e inesperadamente volta a atualiza-lo em Fevereiro de 2009, usando como base a versão Beta 4 de Fevereiro de 2002. Essa mesma versão recebe outras atualizações, como em Fevereiro de 2011, Abril de 2013, Outubro de 2015 e Agosto de 2018. Nessa nova fase de 2007, tem ao seu lado como adminstrador do projeto, Chris Brunner.

NesterDC foi um port do emulador para o console Dreamcast, feito por Ken Friece. No final de 2001, Fumihiko Takayama (mais um japonês cuidando de uma versão do Nester kkkkk) toma conta do projeto, e adiciona salvestate para a memória do Dreamcast (para o VMU, Ken já havia adicionado), GameGenie, filtragem bilinear, cheatcode do NNNesterj, e melhor compatibilidade, fazendo o emulador ser o melhor de Nes para o console da Sega. Em Dezembro lança a ultima versão do emulador, a 7.1. Ken lançou três versões do emulador e Fumihiko cinco. Após isso o NesterDC ganha um port em início de 2003 por Warmtoe, chamado Nester DC 7.1+. Já em final de 2005, Scherzo também cria um port do Nester DC, chamado NesterDC Special Edition (ou NesterDC SE). E por fim o NesterDC SE é atualizado por Christuserloeser em Dezembro de 2008 para a versão 1.1, corrigindo um erro da listagem de diretórios de roms.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

A História dos Emuladores de NES - FwNES, FCE, RockNES e FCEUltra

Hoje abordaremos sobre os emuladores FwNES, FCE, RockNES (bifurcação do xNes) e FCEUltra (originado do FCE), sendo esse último o emulador mais famoso e bifurcado de NES. Confira.


fwNES (1998)

FwNes foi lançado em 24 de Fevereiro de 1998 pelo chinês FanWen Yang e pelo japonês Shu Kondo para MS-DOS e Linux. Fan atuava no núcleo principal e Shu no núcleo de som. Além de ser um dos emuladores mais antigos de NES, também é o pioneiro em emular o Nintendo Disk System, os famosos disquetes de Famicom. O emulador executa os formatos .FDS para os jogos de Disk System e .NES e .NEZ (com z) para os jogos de NES. Além disso, é um ótimo emulador para som, emulando os cinco canais de som do NES, e os canais de som extras do Disk System, com compatibilidade com várias placas além da Sound Blaster, drama dos anos de 1990, que sofria com compatibilidade sonora principalmente em emulação. Apesar disso, alguns jogos tinham problema na emulação de som.

O emulador funcionava bem em um 586 com 16Mb de RAM. Porém, em PCs posteriores aos recomendados para executá-lo, funcionava de forma extremamente rápida, impossibilitando a jogatina. Isso acontecia para o emulador poder se adequar ao baixo desempenho dos PCs antigos. fwNES, também tinha uma ótima front-end, com escolha de rom por pasta, escolha de idioma, cor, tema, save state, reset, ajuste de tela, som e joystick, ajustes em paletas, velocidade, além de escolha entre os núcleos 6502 de Shu Kondo e de Marat Fayzullin, entre outros. O fwNes também usou ao longo do projeto os emuladores 6502 de Neil Bradley e do emulador de NES, NESticle. Também na época, era considerado um dos melhores emuladores de NES para Linux. O emulador tem sua última versão em Novembro de 1998.

Em 98, Shu também cria um emulador próprio para NES chamado BioNES para Windows, que tem apenas duas versões lançadas, se encerrando no mesmo ano. O projeto era bastante promissor. Uma pena que não tenha seguido adiante.

FCE (1998) FCE ou Family Computer Emulator, foi criado em 1998 pelo japonês Bero, tendo sua segunda versão lançada em Abril de 1998 para PC-98. O emulador usa a emulação do processador 6502 de Marat Fayzullin, a documentação de NES de Yoshi, e o suporte Sound Blaster para DOS conseguido no emulador fMSX98-AT do PC MSX2 de Reki Murakami, entre outros. Ele era um projeto extremamente iniciante, com uma velocidade muito acelerada de emulação, com um som muito deficitário, baixa compatibilidade e muitos bugs. O projeto é descontinuado ainda em 1998.

Apesar de seu déficit, inspirou diversos outros projetos na emulação de NES, como FCE Ultra (com suas diversas derivações) por TrelaneQ e NextFCE (e sua variação PlasticNES) por grugru, ambos por volta de Janeiro de 1999 para MS-DOS. O emulador também ganha um port para UNIX, como xfce por eggman por volta de Maio de 1999. Bero também desenvolveu outros projetos de emulação, como FPCE para PC-Engine e FPSE para Playstation 1.

RockNES (1998)

RockNES é uma bifurcação do emulador xNES criada pelo brasileiro Fabiano Lopes, conhecido pelos pseudônimos de Zepper e Fx3 em 1998. RockNES é lançado em Junho de 1998 para MS-DOS. Inicialmente era intitulado como xNES (como uma continuação do projeto encerrado em Janeiro de 1998), trocando de nome em Agosto de 1998.

Inicialmente usava o código fonte do xNES, mas um tempo depois o reescreve completamente. No decorrer de 1998, vai adicionando save state, screenshot, joypad, até chegar em Dezembro, quando dá suporte aos 4 canais de som do console. RockNES foi um dos emuladores mais funcionais de sua época. Em Janeiro de 2000, lança sua primeira front-end, ainda em modo DOS. Essa front-end vai modificando sua cor e tamanho com o tempo.

Em Março de 2000, Alexandre da Veiga cria a versão Windows do emulador, chamada RockNES X, nome dado por conta do uso do DirectX exigido para sua execução. A versão Windows foi lançada até Abril de 2002. RockNES só volta a ser lançado para Windows em Outubro de 2004, quando Zepper encerra os lançamentos para DOS, que aconteceram até Agosto de 2004. Essa versão é conhecida como RockNES/Win32, e usava a mesma front-end da versão DOS. Essa front também modifica sua cor, tamanho e espaçamento das palavras com o tempo. Por volta do ano de 2000, as versões lançadas do emulador exigiam um processador Pentium II 300Mhz com 128MB de memória RAM, e placas de qualidade de som e vídeo, uma configuração média-alta para a época.

Em relação à ports para outros sistemas, o famoso Richard Bannister portou o emulador para MacOS por volta de Outubro de 2000, o descontinuando em Outubro de 2005, mantendo apenas o port de Nestopia que já cuidava há algum tempo. Antes do RockNES, Bannister também já portava seu antecessor, o xNES. Chris Vallinga porta o emulador para Linux em Março de 2001, o descontinuando em Julho do mesmo ano. Só houve mais um port Linux do emulador em Julho de 2004, por Matheus Villela. RockNES é um dos emuladores de NES e da emulação de videogames mais antigos e há mais tempo em continuação.

Suas atualizações ocorreram entre 1998 e 2021, sendo contínuas de 1998 à 2008, e com hiatos nos anos de 2009, 2015, 2018 e 2019. Entre as diversas atualizações que recebeu em todos esses anos, chama a atenção a ocorrida à partir de 2010, que foi lançar duas versões do emulador simultaneamente, uma para tecnologias mais atuais, e outra para computadores i586 e i686, que têm base em processadores Intel dos anos de 1990. A última versão do emulador é datada de Maio de 2021.

FCEU (1998)

O FCEU, Family Computer Emulator Ultra, ou simplesmente FCE Ultra, foi criado em Novembro de 1998 para MS-DOS por TrelaneQ, o Zaik com base no emulador FCE de Bero criado em Abril do mesmo ano. Trelane trabalhava junto com Bero, e desenvolveu a versão Linux do emulador na data de lançamento do projeto. O emulador teve grande parte reescrita por Trelane, o que resultou em um emulador muito mais estável e compatível. Na versão 0.17 para MS-DOS de Setembro de 1999, foi o primeiro emulador de NES a dar suporte ao arcade da Nintendo, UniSystem (ou Nintendo Vs.).

O emulador contava com suporte à som através da Sound Blaster, sendo assim um dos melhores emuladores de som de NES da época. Além disso, também trazia suporte há 5 modos de vídeo, joypad, Game Genie, save state, snapshot, entre outros. Também tinha uma boa velocidade, sendo recomendado um PC rápido para executá-lo e uma boa compatibilidade por conta da quantidade de mapeadores que suportava. Em final de 1999, é lançada em cima da versão 018 a versão para Linux. O projeto teve a ajuda de vários influenciadores, como Nobuaki Andou do Pasofami, Yoshi do nestech.txt, Marat Fayzullin do iNes e Matthew Conte do Nofrendo, com informações diversas sobre o console, entre vários outros. Era recomendado ter um Pentium 233Mhz, com 16MB de RAM, placa de vídeo de 512KB e placa de som compatível com Sound Blaster para executar o emulador com mais tranquilidade. O emulador também contava com sincronismo entre CPU e PPU (processamento central e matemático), que na maioria dos emuladores era ruim. O emulador também dava suporte ao reprodutor NSF, e às roms de formato iNES e fwNES de NES e FDS de Disk System. O emulador é encerrado em Setembro de 2000, aonde também é lançada a versão para Windows. Era uma versão simples, sem front-end, com apenas o menu para escolher os jogos.

Em Novembro de 2000, ganha um port para Pocket PC. Também em Novembro, Trelane libera o código fonte, e Xodnizel se interessa e começa a desenvolver o emulador a partir de então, dando continuidade as versões de DOS, Windows e Linux lançadas no mesmo mês. Por volta de início de 2001, lança uma front-end para Windows, com diversas configurações de vídeo, som e joypad, entre outros. Por volta de Julho de 2001, é portado por Caz para BeOS como FCEU Ultra/SDL. Em meados de 2002, é portado para Xbox como StellaX. Em início de 2004 também ganha uma versão para MacOS. Todas as versões funcionavam por linha de comando, exceto as versões Windows e Xbox que tinham uma interface própria. O projeto tem dezenas de versões, com correções gráficas, sonoras, adição de suporte à diversos jogos, além de suporte a pistola Zapper por meio do mouse. A ultima versão é lançada em Maio de 2004, com correção da mesma em Outubro. O emulador ganhou ports para os portáteis WonderSwan em 2000, GP2X em 2006 e PSP em 2006 e 2009, e para os consoles Playstation 2 em 2007 e Nintendo GameCube e Nintendo Wii em 2008. Também recebeu port para o PC portátil, Pepper Pad (infelizmente não temos seu ano de lançamento).

Por sempre ter sido de código aberto, várias versões do emulador surgiram, inclusive enquanto ainda era desenvolvido, como o FCEUD (FCE Ultra Debugger) em 2002 por Parasyte, FCEU-MM (FCEU- Mappers Modified) em 2003 por CaH4e3 indo até 2016, FCEUXD (FCE Ultra eXtended-Debug) em 2004 por bbitmaster e DahrkDaiz, FCEUXD SP (FCE Ultra eXtended-Debug Sebastian Porst) em 2005 por Sebastian Porst indo até 2007 e FCEUXD SP CE (FCE Ultra eXtended-Debug Sebastian Porst Championship Edition) em 2006 por UglyJoe. Também teve uma versão com suporte à gravação, a FCE Ultra Rerecording, feita por blip em um ano não identificado, e atualizada em 2006 e 2008 por Nitsuja e outros influenciadores do meio.

Em Março de 2006, o projeto inicial FCEU foi trazido de volta por Anthony Giorgio e Mark Doliner, mas por falta de tempo não o continuaram, nem lançaram nenhuma versão do emulador. Zeromus e Sebastian Porst então pensaram em fundir todas as versões não oficiais e formar o FCE Ultra X, ou apenas FCEUX. O projeto foi iniciado em 2006, e vários autores de ports antigos do emulador participaram, como Parasyte (péurasait), Cah4e3, bbitmaster e Uglyjoe, como muitos outros contribuintes. O primeiro lançamento foi em Agosto de 2008. O FCEUX rodava tanto roms de Famicom, como de NES de todas as regiões. O emulador também propicia a criação de vídeos para as roms, o famoso Tool-Assisted Speedrun, recurso vindo da versão Re-Recording, além de também propiciar alterações em roms, processo conhecido como Rom-Hacking. Em Março de 2009, modifica o logo de sua front-end. Em Junho de 2021, lança sua versão 64bits, chamada QFCEUX, com várias modificações e ampliações na front-end. O FCEUX teve versões para Windows, MacOS X, Linux, UNIX e BeOS desde o seu lançamento. O projeto teve vinte e duas versões lançadas de 2008 à 2013, e em 2018, 2021 e 2022. A última versão que saiu foi em Março de 2022. O emulador foi adicionado em emuladores multi-sistemas como RetroArch em 2011 e OpenEmu em 2013.

Evolution of Games - Ranma ½ (1990-1996)

O Evolution of Games de hoje traz a franquia de jogos do anime Ranma ½, com seus jogos lançados entre 1990 e 1996, para Gameboy, PC Engine, SNES e outros, de luta, aventura, puzzle e RPG. Confira.

Índice do Blog

A História dos Arcades Emuladores de Arcade - Williams Digital Arcade, Sparcade!, Emu / Retrocade Emuladores de Arcade - MAME Emuladores de ...

Total de visualizações de página

2929